segunda-feira, 9 de maio de 2016

Sentada nesse sofá conversando sobre idade com um amigo, paro para analisar tudo que já me aconteceu, vejo como minha vida mudou drasticamente em todas as viradas que ela deu. Aos meus dezessete anos foi quando tudo começou, a pessoa mais importante da minha vida se foi, me deixando sem chão, foram dias ruins os que se seguiram, me mudei, fiquei longe dos meus amigos e de alguns familiares, mas o que doeu mais foi abandonar o local que vivi tantas histórias, onde cresci, onde existiam lembranças em todos os cantos, o meu lar. Conforme o tempo foi passando meu coração foi sendo confortado, lentamente, mas, aos poucos a dor foi diminuindo.
Aos dezenove mais um problema, e o pior, dentro de casa. Nunca me senti a vontade nesse novo "lar", e uma pessoa que mora lá faz com que me sinta ainda mais desconfortável, faz coisas que nunca imaginei, coisas que me magoaram muito, mas nunca pude fazer nada, por omissão alheia. Mais tempo se passou, o rancor e o ódio continuam aqui, intactos e sei que sempre vão continuar, não consigo perdoar. 
Na vida amorosa a tragédia foi a mesma, conheci um rapaz, dono de um sorriso lindo, o qual me apaixonei a primeira vez que vi, desde o primeiro dia eu o quis. Era uma coisa tão forte e tão nova na época que eu não sabia como lidar com esse sentimento. Nunca havia gostado de alguém daquela forma. Vivemos muita coisa, foi mais de um ano entre idas e vindas até que os dois começaram a errar com o outro mais do que acertar e acabou indo por água abaixo. Depois de um tempo tentamos mais uma vez, mas nunca foi a mesma coisa. O sentimento do rapaz deixou de existir e comecei a ser somente uma distração. E por fim acabou, não nos falamos mais, não nos vemos mais. Porém, da minha parte, apesar de tudo, ainda existe um carinho enorme por ele, passamos muitas coisas juntos, o sentimento foi muito forte, pelo menos para mim. Tenho saudade daquele sorriso e daqueles olhos lindos.
Outro rapaz foi um que rapidamente ganhou minha confiança e ouso dizer que até meu amor, o qual na época nunca soube dizer o que era, e agora vendo todos os acontecimentos e analisando o sofrimento que passei e que ás vezes ainda sinto, mesmo que em uma intensidade menor, percebo que talvez fosse esse sentimento e eu boba e ingênua que era não percebi. Não era recíproco, pela forma que terminou realmente não era. Ao meu ver foi só um passa-tempo para ele, o problema era que para mim parecia verdadeiro, acabei alimentando coisas na minha cabeça que não existiam na vida real. E por fim tudo acabou, para mim da pior forma possível, não queria ver ele, não queria lembrar dele, exclui de todas as redes sociais, de tudo. Me arrependi, ele voltou com a ex namorada, e daí tudo começou, até hoje me lembro dele com saudade, apesar da minha infantilidade e falta de experiência, foram momentos bons, lembranças agradáveis.
Um tempo depois disso surgiu uma amizade com um rapaz que me tirava do sério, e eu nunca entendi o porque. Ele demonstrava um interesse além da amizade, mas eu fingia que não percebia, porque afinal ele era meu amigo oras e na minha mente fechada isso não podia acontecer, porque a amizade acabaria. Certo dia, reunimos um pequeno grupo de amigos e resolvemos ir para uma balada. Nesse dia, no meio do local da festa, esse jovem me roubou um beijo e eu automaticamente correspondi com um tapa, ficamos sem nos falar, e eu, engoli meu orgulho e pedi desculpas. Sempre tive muito carinho por ele, e inúmeras vezes o vi com outros olhos, nessa hora sempre batia o arrependimento de ter dado aquele maldito tapa nele, coisa que ele inclusive faz questão de lembrar sempre. Passado um tempo nos encontramos e ficamos de novo. Foi absurdamente diferente, nunca passou na minha cabeça que seria tão bom. Entre encontros e desencontros ficamos mais algumas vezes, porém ele se mudou para outro estado, e cá estou eu pensando no tempo que perdi para perceber que talvez se eu tivesse deixado meu orgulho de lado e investido nesse amigo talvez hoje estivéssemos juntos. Gosto dele, mais do que achava. As borboletas no estômago até aparecem quando lembro dele. Mas, acho que não existe um 'nós' nessa história, talvez seja só da minha parte, mas sigo aqui, esperando para que a vida me surpreenda.
Assim eu sigo a vida, depois de tantas reviravoltas e de achar que iria morrer de tanto amor, cá estou eu, vivinha da silva e calejada dos tombos que levei até aqui.